Por que procrastinamos? Entenda as causas psicológicas
- Yuri Zaché Ramos
- 9 de mai. de 2025
- 3 min de leitura
Por Yuri Zaché Ramos — Psicólogo Clínico (CRP 16/11434)

Se você já se pegou dizendo “depois eu faço” e acabou mergulhado em culpa, distrações ou tarefas que não têm nada a ver com o que precisava ser feito… saiba que você não está sozinho, mas Por que procrastinamos?
Como psicólogo clínico, ouço muitos pacientes descreverem a procrastinação como preguiça, falta de vergonha na cara ou pura desorganização. Mas eu preciso te contar uma coisa importante: procrastinação não é sobre caráter. É sobre sofrimento.
Sim, por trás desse adiamento constante geralmente existem emoções difíceis, pensamentos distorcidos e mecanismos de defesa psicológicos que tentam, de alguma forma, proteger você mesmo que isso te atrase, te frustre ou te desgaste.
Vamos falar sobre isso com mais profundidade?
O que é, de fato, procrastinar?
Procrastinar é adiar uma ação, mesmo sabendo que isso trará consequências negativas. Pode ser deixar para depois aquele trabalho da faculdade, evitar marcar uma consulta médica ou até empurrar decisões importantes da vida pessoal.
O mais curioso é que, geralmente, a pessoa sabe o que precisa fazer. O problema não é falta de informação, mas sim a dificuldade de iniciar ou manter a ação, especialmente quando ela está associada a alguma emoção desagradável, como medo, ansiedade ou insegurança.
Então… por que procrastinamos?
A resposta não é simples, mas a psicologia tem algumas pistas importantes. Aqui estão algumas das causas mais comuns que observo no consultório:
1. Medo de fracassar (ou de não ser bom o suficiente)
Muita gente só consegue começar algo quando se sente perfeita e pronta. O problema? Esse momento raramente chega.
Por trás da procrastinação, muitas vezes existe um perfeccionismo paralisante, onde a pessoa evita começar para não se frustrar ou para não lidar com a sensação de ser “menos” do que esperava de si mesma.
2. Autocrítica excessiva
“Eu sou um fracasso”, “nunca termino nada”, “não adianta tentar, vou travar de novo”... Esses pensamentos sabotadores criam um ambiente mental tóxico, que drena a motivação e alimenta a inércia.
A procrastinação, nesse caso, vira uma forma de se afastar da dor que esses pensamentos causam. O problema é que, com o tempo, a culpa toma o lugar da crítica e o ciclo recomeça.
3. Busca imediata por alívio emocional
Nosso cérebro é programado para evitar desconforto. Então, quando associamos uma tarefa a algo difícil ou desagradável (como tédio, esforço, risco de errar), é natural querer escapar.
É aí que entram as distrações: celular, redes sociais, séries, comida, organização da gaveta… tudo vira mais atrativo do que enfrentar o desconforto emocional de realizar o que precisa ser feito.
Essa fuga até alivia na hora mas depois cobra um preço alto: culpa, acúmulo, estresse.
4. Falta de clareza e excesso de exigência
Você já ficou travado diante de uma tarefa porque ela parecia grande demais? Ou porque nem sabia por onde começar?
Quando as metas são vagas ou exigentes demais, o cérebro entende como uma ameaça e responde com evasão. Uma boa estratégia aqui é dividir o que precisa ser feito em micro ações objetivas. Pequenos passos ativam a motivação e quebram o ciclo de procrastinação.
A procrastinação como sintoma (e não o problema em si)
Quero te convidar a mudar o olhar: a procrastinação não é o inimigo, é um sinal. Um alerta de que talvez exista algo dentro de você que precisa ser escutado.
Muitas vezes, esse padrão está ligado a experiências anteriores, baixa autoestima, medo de julgamento ou modelos rígidos de produtividade aprendidos ao longo da vida.
É por isso que tratar a procrastinação vai muito além de usar aplicativos ou técnicas de produtividade. Trata-se de olhar para si com mais curiosidade e compaixão.
O que a terapia pode fazer por você
Na terapia, a gente investiga o que está por trás desse comportamento. Identificamos os gatilhos, as crenças que te paralisam e os padrões que te afastam da ação.
Mais do que "te fazer produzir", meu papel é te ajudar a reconstruir sua relação com o tempo, com a responsabilidade e, principalmente, com você mesmo.
Você não é preguiçoso. Não é incapaz. Talvez só esteja cansado, sobrecarregado, com medo e precisando de um espaço seguro para reorganizar tudo isso.
✨ Quer sair desse ciclo?
Se você sente que a procrastinação tem te impedido de viver com mais leveza e presença, talvez seja hora de olhar para isso com mais cuidado. E você não precisa fazer isso sozinho.
Agende uma conversa comigo. Pode ser o primeiro passo para recuperar sua confiança e retomar sua vida com mais clareza e direção.



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